Viajei no tempo, e viajei gostoso... Saudades, cheiros, calor!! Senti tudo de novo. Ver meu amado filho pulando no muro e subindo no da vizinha, ranzinza, da mesma forma como fazíamos a 35 anos atrás e admirando os casais de araras que iam e vinham no céu mais que azul... Cuidado menino, seu tio já caiu deste mesmo muro...
Aquele muro atrai crianças há décadas, parece um ímã para brincadeiras!! Na casa de 70 anos, muitas imagens do passado. De quando atropelamos todos os primos pequenos que havia pelo caminho correndo de medo do "doido" da cidade, Tati, que se aproximava, de procurar minhas primas mais velhas que não queriam brincar comigo, de andar nas pontas dos pés para não incomodar meu avô que acordava às 3:00 da manhã para ir para a fazenda, e tirava sua soneca no sofá numa sala de assoalho de peroba todo executado de uma única planta retirada no Engenho de Serra, propriedade do meu avô, que rendeu uma casa inteira, entre mourões, portais, assoalhos e telhado!!!
Quantos doces feitos pela vovó na mesa da merenda!! Papai, genro, contou: mais de 30 variedades, criações e receitas de família!! Lembrança do tempo que não fechávamos a porta de casa, nem o carro era trancado. As visitas chegavam sem marcar hora. O som do badalo do relógio ecoava na esquina, onde o silêncio era interrompido pelo burburinho dos primos chorando a morte de um de nós. 5 dos 44 netos daquela casa se foram, mas não sem deixar sua marca...
Viajei no tempo, lembrei das férias da infância, lembrei de ter me divertido muito lá, no interior do Estado, na casa de meus avós, que se foram, que Deus os guarde, disse a tia. Esta que guarda com todo carinho aquela história intacta, e a casa, fala ao nosso coração, é uma máquina do tempo, eu estive lá, ontem eu estava em 1977, subindo no muro, com medo do meu avô não gostar, brincando de "balisa", comendo queijo de cabacinha. Meu Deus, que viagem!!! Tem entrada nova na cidade pra que usar a antiga? Eu quis a viagem completa, até terminar o dia no alpendre, observando as pessoas voltando para casa... Até alguém gritar lá de dentro às 5:30 da tarde: _ A janta tá pronta!!
Criei minha máquina do tempo pessoal, chorei, lembrei. Voltei.
São as recordações desses fatos que trazem para o presente tudo aquilo que vivemos no passado! E que grande bem nos trazem... é como se o ontem voltasse para nos redimir do presente tão corrido,apressado,violento,desassossegado.Amei sua crônica.Bjos.
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